A Internet já está sufocada com resíduos de IA. Você já viu. Aqueles covers de reggae sem alma do Nirvana. The Weeknd preso em um gênero country que ele não pediu. AC/DC arrastado para o trabalho penoso e monótono da Motown. Agora o Spotify está lhe entregando uma pá mais afiada. Eles querem cavar mais fundo.

Aqui está o acordo. Spotify assinou contrato com o Universal Music Group (UMG). Eles estão licenciando o catálogo. O resultado? Você pode gerar remixes e covers com tecnologia de IA generativa. Os detalhes são confusos. Não sabemos como isso funciona nos bastidores. Ainda não sabemos o preço. Mas sabemos para quem é. Superfãs. O CEO da UMG, Sir Lucian Graigne, acha que isso “aprofundará o relacionamento com os fãs”. Estou cético.

Há algo de nobre em aprender um instrumento. Escolhendo notas. Dissecando uma trilha. Ele ensina canções. Isso faz você respeitar o artista. Mas nada disso acontece quando você digita uma mensagem em uma caixa e exige uma Beyoncé bluegrass.

“Parece desrespeitoso.”

Essa é a conclusão honesta. É rude com a criatividade humana. É rude com o artista original que serve de matéria-prima. E honestamente? Isso grita narcisismo. Quando você toca uma música, você cria uma conexão. Você ganha uma habilidade. Uma capa de IA diz: “Olhe para mim. Veja o que eu pedi.”

Você pode ver a doença em lugares como o subreddit Suno. Os usuários se gabam de não ouvir mais artistas reais em plataformas de streaming. Eles consomem apenas o lodo que eles próprios geraram. Estes não são fãs de Taylor Swift tentando se sentir mais próximos da música. Eles são pessoas convencidas de que um prompt de texto melhora décadas de composição profissional. Eles estão delirando.

Que superfã quer insultar o artista que afirma amar?

Vamos supor que a IA seja inofensiva. Uma piada. Uma risada. Mas alguém passou algum tempo com Suno ultimamente? A saída está morta. É chato. Não tem vida. Uma versão pesada de The Dead Kennedys parece divertida no papel. Na prática, a IA remove as arestas. Isso mata a diversão. Sem movimentos inesperados. Sem coragem. Certa vez, até gerou uma capa com uma suástica. Apenas… sim.

Eu faria uma gravação no quarto em um iPhone qualquer dia. Deixando de lado os erros amadores. Pelo menos tem charme. Pelo menos tem um batimento cardíaco humano.

Claro, trabalhos de mudança de gênero. The Gourds fez de “Gin and Juice” um sucesso através da comédia. Travis revelou a beleza oculta em “Baby One More Time”. The Flaming Lips transformou Kylie Minogue com cuidado. Transformar Whitney Houston em black metal não é um jogo. Exige conhecimento de instrumentação. Exige respeito.

Depois, há criadores como Mac Glocky. Ele reimagina faixas no estilo de outros artistas. Ele não apenas dá um tapa na distorção e grita. Ele entende a fonte. Ele sabe como Chino Moreno do Deftones lidaria com “Mr. Blue Sky”. Ele faz escolhas melódicas. Ele faz ligações para arranjos. Parece humano.

A mesma lógica se aplica aos remixes profissionais. “Banquet” do Bloc Party passou de punk constante a uma explosão de pista de dança porque alguém conhecia a pista de dança. ‘Get Your Freak On’ de Missy Elliott se tornou um tumulto problemático porque um produtor entendeu a tensão do punk rock. La Roux mudou do pop para um ritmo lento e temperamental.

Estas são escolhas humanas. Ouvidos treinados. Momentos criados.

A ferramenta do Spotify reduz esta forma de arte complexa a um prompt de texto. O engajamento cai. A compreensão evapora. O que resta?

Apenas barulho.