A Consumer Electronics Show (CES) é há muito tempo uma vitrine para o futuro – um futuro frequentemente povoado por robôs. No entanto, para cada inovação tecnológica bem-sucedida, existe um cemitério de protótipos que prometiam mudar o mundo, mas que acabaram por cair na obscuridade. A inauguração deste ano do Atlas da Hyundai, o humanóide Boston Dynamics, é apenas a mais recente de uma longa linha de promessas robóticas que podem ou não dar certo.

Para entender por que isso é importante, considere o ciclo de hype: a tecnologia muitas vezes promete demais e entrega de forma insuficiente. A CES é uma panela de pressão para este fenómeno, onde a ambição frequentemente supera a praticidade. O desfile de robôs ao longo dos anos ilustra um padrão recorrente: entusiasmo inicial, seguido de fracasso comercial ou adoção de nicho.

Primeiros sonhos e decepções (2004-2009)

O início dos anos 2000 viu uma onda de robôs humanóides, muitas vezes apresentados como arautos de um futuro automatizado. O Qrio da Sony, apresentado na CES 2004, já foi considerado um concorrente sério – até mesmo aparecendo no final do Battlestar Galactica como um símbolo de ameaças emergentes de IA. Nunca chegou ao mercado, embora alguns protótipos tenham estrelado um videoclipe de Beck.

O primeiro protótipo de carro autônomo do Google, exibido na CES 2006, destaca-se como uma rara história de sucesso. Evoluiu para Waymo, agora operando robotáxis em várias cidades dos EUA. No entanto, a tendência mais ampla foi diferente. O Asimo da Honda, lançado em 2007, podia andar, correr e até cair comicamente no palco, contribuindo para a sua eventual descontinuação em 2018.

Outras tentativas, como o robô de telepresença Anybots de 2009, não conseguiram ganhar força. A ideia de supervisionar remotamente os trabalhadores da fábrica com uma tela rolante não ressoou entre os investidores ou capitalistas, apesar do argumento.

A meia-idade: novidade e quase acidentes (2011-2018)

A década de 2010 trouxe uma mistura de conceitos peculiares e melhorias incrementais. O Robovie de Vstone, apresentado em 2011, ganhou notoriedade por ter sido submetido a abusos em experimentos com crianças. Justin Bieber posou com um robô alto-falante dançante na CES 2012, um produto que não sobreviveu muito depois de sua fama.

O cão-robô Aibo da Sony, ressuscitado em 2018, ofereceu um apelo nostálgico, mas forneceu pouco avanço tecnológico em relação às iterações anteriores. No mesmo ano também assistimos a uma performance de um robô stripper num clube de Las Vegas – um lembrete claro de que algumas aplicações robóticas são mais uma questão de espectáculo do que de inovação.

Tentativas recentes e dúvidas persistentes (2019-2026)

As iterações recentes da CES apresentaram robôs mais sofisticados, mas a viabilidade comercial continua a ser um desafio. O Spot da Boston Dynamics, demonstrado pela primeira vez em 2016 e posteriormente mostrado pela Hyundai na CES 2022, encontrou funções de nicho na inspeção e eliminação de bombas. Mas uma aquisição em grande escala de robôs permanece distante.

O Ameca, anunciado como o “robô humanóide social mais avançado” em 2022, carece de adoção em massa, apesar de suas expressões faciais realistas. Robôs bartender movidos por IA, como Adam, embora populares na CES 2023, ainda não substituíram os mixologistas humanos – o Botbar, onde Adam serviu, fechou permanentemente.

O Atlas da Hyundai na CES 2026 é o mais recente nesta linha de protótipos ambiciosos. O CEO da Nvidia, Jensen Huang, vem promovendo a visão da robótica há anos, mas mesmo suas demonstrações mais recentes, como a Grek, apoiada pela Disney Research, ainda não se traduziram em um produto de consumo generalizado.

O padrão é claro: os robôs da CES muitas vezes têm mais a função de sinalizar ambição do que de promover uma revolução. A tecnologia avança, mas o mercado raramente a alcança.

Concluindo, a história dos robôs na CES é um conto preventivo sobre ciclos de exagero e expectativas não atendidas. Embora alguns conceitos eventualmente tenham sucesso, a maioria desaparece, deixando para trás um cemitério de protótipos fracassados. O futuro ainda pode ser robótico, mas o caminho para chegar lá está repleto de fantasmas do passado da CES.