O Oscar de 2024 viu Sinners sair com quatro vitórias, incluindo Melhor Roteiro Original para Ryan Coogler e a atuação de Michael B. Jordan. Autumn Cheyenne Durald Arkapaw também fez história como a primeira mulher a ganhar o prêmio de Melhor Fotografia. No entanto, apesar do recorde de 16 indicações, o filme foi considerado por muitos como uma potencial “perturbação” – um candidato surpreendente nas corridas de Melhor Filme e Melhor Direção. Este enquadramento revela uma verdade mais profunda sobre a relação de Hollywood com a arte e os artistas negros.
A ilusão do oprimido
A ideia de que Sinners era um azarão não se alinha com o histórico estabelecido de Coogler. Ele foi indicado para Melhor Filme e recebeu reconhecimento por Pantera Negra e Judas e o Messias Negro. O filme em si garantiu o maior número de indicações ao Oscar da história. Então, por que a narrativa?
A Academia, historicamente, não priorizou a arte negra. Em seus 98 anos de história, nenhum diretor negro jamais ganhou, apenas seis atores negros ganharam o prêmio de Melhor Ator e Halle Berry continua sendo a única mulher negra a ganhar o prêmio de Melhor Atriz. A “surpresa” no sucesso de Sinners fala de preconceitos arraigados: a suposição de que um faroeste de vampiros não seria considerado uma obra de arte séria, ou que o terror não é tão válido quanto outros gêneros.
Representação não é suficiente
Uma vitória de Melhor Filme teria sido vista como um progresso, refletindo momentos passados em que filmes como 12 Anos de Escravidão, Moonlight e Parasita foram aclamados como momentos decisivos. Mas estas vitórias não eliminam a discriminação sistémica. O Oscar pode reconhecer a arte, mas os prêmios não resolvem os problemas estruturais da indústria. As mesmas questões sobre a representação surgem ano após ano, tornando-se mais vazias num clima político que marginaliza cada vez mais os grupos minoritários.
O poder da arte além da validação
Pecadores não precisava de Melhor Filme para ser ótimo. Suas quatro vitórias e indicações recordes são conquistas em si. O filme tem mérito próprio, um trabalho poderoso e querido que não requer validação da Academia para existir. O sucesso do filme é uma prova do poder da própria arte, independente das expectativas e fardos da temporada de premiações. É um lembrete de que um filme verdadeiramente excelente pode simplesmente ser amado e compartilhado – algo especial por si só.
Em última análise, Sinners prova que a arte não precisa de prêmios para ser significativa. O seu impacto reside na sua qualidade, na sua ressonância com o público e na sua existência como uma obra bela e poderosa – independentemente do veredicto da Academia.
